Um simples gesto, ação e reação - quem sabe qual o verdadeiro motivo para que tudo que acontece dentro da própria realidade, e parece tão natural, aconteça assim?
De onde viemos, o que somos... tudo o que nos compõe. Toda a parte do passado que teimamos em lembrar como "presente". O beijo que demos ontem, o filme do domingo passado... cada momento que vivemos e tivemos.
Mas, se esses tais momentos - assim, no plural - aconteceram, passaram, por que, nunca conseguimos dividi-los nessa andança mochileira pela vida?
É, eu fiquei mesmo tentado a entender.
Um momento não é uma unidade de medida; ele não possui elemento definido, massa atômica, ou prazo de validade. Também não há um caminho certo de como ele deve ser percorrido, in and out, ou tempo determinado.
-Não.
Não?
-Não.
Não?
-Não.
Um momento é o jeito como você está, e tudo o mais que compõe como você pensa, sente, age... quer. É o jeito com que você tenta moldar a realidade, trabalhando o seu paradigma, em busca do que tanto deseja. É um fato, e uma conseqüência, um micro e um macro, transportados para dentro de si e como você interage com tudo ao seu redor.
Tudo, é claro, dentro do infinito composto de um pouco de tempo.
E assim, mês a mês, ano a ano, vez a vez, se esvaem os momentos, numa linha única que teimamos em chamar de memória. Você não era a mesma pessoa quando deu seu primeiro beijo, sentiu sua primeira paixão, ou perdeu a sua virgindade: todos eram diferentes faces de você, criados no nada da 4ª dimensão inexistente, percorrendo um caminho sem volta, sem se tocar que está mudando, até que tudo ao seu redor também tenha mudado.
Talvez o grande defeito do ser humano é não entender que as oportunidades aparecem e, no mesmo passe de mágica, somem, envoltas no manto do momento, percebendo que elas existiram depois de muito, muito tempo.
Ou então, seja ancorar em si um momento especial, esquecendo-se completamente de todos os outros, que, por uma vez só, vão passar.
O problema é que, infelizmente, quase ninguém vê que apenas vai ser infinito enquanto durar.

É incrível como ainda hoje, na era da razão, onde as pessoas tendem a se tornar céticas com tudo o que acontece, o pensamento de que o amor há de ser pleno e eterno continue tão em alta.